quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Porque Eu Insisto Se Ninguem Se Importa?
Eu passei horas tentando te contar o que eu quero. Tentando que cada palavra fosse escrita no lugar certo. Que o texto ultrapassasse o sentido de ordenação interessante de palavras e tivesse uma força que fizesse impacto e digno de necessidade de imaginar, sentir, entender a beleza sutil, porém suprema, quando um ser-humano resolve que a folha branca capte não um sentimento particular, uma verdade política ou alguma ironia sobre o dia-a-dia. Mas que o papel participe como companhia, confidente, amigo e testemunha. Que no papel restasse apenas o desabafo, e a prova final e irrefutável de que naquele quarto escuro no meio de um cortiço qualquer num bairro decadente entre o concreto que se impõe escondendo o horror dos gritos de desespero, inventando realidade confortável para alguns e sufocando a maioria dos infelizes incapazes de enfrentar o óbvio e aceitam qualquer ilusão que desvie a mente da tortura infligida diariamente. Um detalhe inofensivo incapaz de ser percebido invocou a névoa mística da genialidade, por alguns minutos o poeta escreveu, venceu a arrogancia desafiadora do papel em branco. Transformou as palavras em sentimentos, conseguiu desvendar o enigma que jazia na solidão do papel, enfim alcançou aquilo que sempre desejou. Detalhes, momentos, segundos talvez. Uma vida inteiro insistindo, procurando. Alguns segundos apenas. Palavras conhecidas, estudadas, comuns. Alguns segundos, e todas sensações descritas através da ordenação mais bonita.
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Um comentário:
éééé genial
alguns segundos são precisos. num duplo sentido.
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